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o ator imaginário


Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo

São Paulo, Rio, Salvador...
Estou me desdobrando entre essas 3 cidades.
Em Salvador a minha valente assistente Marina está cuidando.
Lá tudo é novo. Há muita insegurança e ao mesmo tempo muita
conquistas. Há um tempo para que a informação seja processada e se possa
voltar a espontaneidade, a aquilo que aos outros parece natural mas é totalmente construído. Nada é aleatório. O que é ocorre é que os movimentos tem um organização, um direcionamento, diversidade, camadas...que revelam uma outra compreensão do que se está fazendo. Cinema é equipe se bem que existem pessoas que tomam decisões que influem muito no resultado. Daqui eu administro o que acontece lá. A maior parte do trabalho de preparação já está feita. E o que se está fazendo agora é entender o filme que vai se fazer. A dramaturgia em movimento para se fazer uns últimos ajustes tanto na maneira de se abordar quanto no tempo e na quantidade de coisas que vão estar ali. Esse processo só vai terminar no último corte do filme. Quanto aos nossos jovens atores eles vão ganhando experiência, acumulando conhecimento e se tornando mas confiantes na suas capacidades. Mas que eles não comecem a pensar que vou chamar eles de lindos...
Rio de Janeiro
Roteiro...é um guia. Quanto mais elementos para formar imagem nas pessoas que vão ler mais interessante é. Nos Filhos do Carnaval, são sete roteiros para episódios de mais ou menos 50 minutos. As descrições das cenas são muito inspiradores e são cheios de ação, movimento.
Um personagem não é só uma psicologia ele se insere num meio social. É importante fazer uma abordagem antropológica do personagem e também do que se está vinculando com ele. Tudo isso eu traduzo em exercícios. A realidade social do Rio de Janeiro é complexo e cheio de armadilhas. É triste por um lado e ao mesmo tempo tem senso de humor. Os personagens são pessoas que pertencem a esse universo e que lutam com esse pathos que o meio traz.
São Paulo.
Enquanto escrevo meu filho toma banho e por sinal é melhor ver o que se passa por que ele deve ter derretido.
Tempo é uma invenção, uma forma de mesurar ações e situá-las no espaço sabendo que um corpo não pode ocupar dois espaços ao mesmo tempo.
Vou lá...

Escrito por Christian Duurvoort às 21h23
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Relatos de Duas Cidades

Pelo relato que me fez a Marina dos últimos ensaios os meninos estão progredindo. Eles estão mais participativos, com fragilidade mas com mais presença e até dando sugestões. O problema no cinema é sempre esse o diretor é muito requisitado, cada equipe com sua demanda de atenção, o que afasta o diretor um pouco do universo da história. Sem medir palavras tudo só faz sentido quando o ator está lá. É ele que carrega a dramaturgia e que preenche o quadro com vida.
Eles estão começando a crer na ficção e se entregarem a esse absurdo que é fazer parte da construção de uma história. Isso me deixa feliz.

Na últimas semanas antes de deixar Salvador eu dizia ao meninos que a técnica serve para fazer menos esforço. Que estar em si e fazer por si é mais importante do que decorar o roteiro. Se deixar levar pela história e estar presente é mais forte que atuar ou interpretar o que está escrito. Havia muita ansiedade por parte deles em ter o roteiro, em decorar as falas, em acertar. Daí sai com essa frase:

Quanto menos controle mais domínio.

Se deixem levar pela sua imaginação desde que ela continue no presente.
E deixe o diretor dirigir. A mesma frase vale para a direção: deixe os atores agirem.
Por que quando se tem técnica e se conhece aquilo que se vai realizar é mais fácil deixar de ter contrôle (que no ator se traduz em auto direção ou pior em auto crítica). Daí a importância da preparação. Por que durante a preparação vamos desmontando a dramaturgia e mapeamos temas, relações, situações...qualidades e defeitos.
Temos a tendência de todos querermos nos pautar pelos resultados ao invés de nos entregarmos ao momento tendo em vista um lugar que se quer alcançar. Muitas vezes se diz "tenho que" quando o melhor seria dizer "eu quero". Certeza nunca há num processo criativo. Alguém que se lance na criação precisa entender seus critérios e ver se eles são compativeís com a função que se quer exercer.

Um ator precisa conhecer a matéria com que está lidando, aquilo que o roteiro apresenta em ideias para poder se disponibilizar para aquela proposta. E se motivar para ir mais fundo, trazer algo pessoal e único.

Estou no Rio de Janeiro trabalhando com uma porção de atores que já conheço. Continuo respirando e trabalhando a flexibilidade deles..Trazendo algo técnico e de conteúdo que possa somar com seus conhecimentos e percepções da história. Para muitos é voltar para um momento muito prazeiroso que causa certa ansiedade. A série Filhos do Carnval foi um exito e quem viu elogiou muito o elenco. A maioria tem muita experiência mas mesmo assim existem novidades. Os atores que participaram da primeira temporada conservam em si muito do que aprenderam com os primeiros episódios. Os personagens são intensos e os atores conquistaram um espaço incrível para eles. Continuaram trabalhando muito e receberam muito reconhecimento por este trabalho mesmo se os Filhos do Carnaval não tenha sido muito assistido por estar num canal exclusivo no cabo.

Entrar na ficção não é fácil. É muito fácil cair na fórmula pronta. Aqui no Brasil a fórmula é a televisão. Estamos encontrando outras propostas mas o valor que se dá ao texto escrito, a informação ao invés da ação e da imagem ainda é desproporcional. Cinema é movimento e síntese. Na edição pode se acelerar ou ralentar uma cena mas se ela não estiver escrito com consistência vai dificultar o trabalho do diretor e dos atores.
O bom é que estamos produzindo mais e mais.

Escrito por Christian Duurvoort às 20h40
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