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o ator imaginário


A Casa Nova!!!

Já estou pendurando os quadros na casa nova.

http://atorimaginario.wordpress.com

Até lá.

Escrito por Christian Duurvoort às 10h49
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Estou de mudança

Estou mudando de endereço.
Casa nova.
Mais espaçosa. Mais cômodos e mais facilidade de acesso.
Ainda não está pronto.
Estou levando as coisas prá lá aos poucos e organizando o espaço.
Venham me visitar:
http://atorimaginario.wordpress.com
Aceito sugestões.
Por enquanto só os textos de 2006 e um currículo meu.
Não reparem a bagunça.
Deixe comentários...


Escrito por Christian Duurvoort às 11h26
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Frogville, a cidade da chuva!

Chuva. Último dia de um sequência longa de trabalhos.

Hoje à noite volto para São Paulo. Florianópolis só chuva...não pensem que fui à praia. Fiquei no centro.

Ontem respondi a algumas perguntas bem pertinentes sobre Percepção de Risco. 

O Ator muitas vezes quer segurança, saber o que vai fazer para prever...entretanto a resposta é vaga.

Filmes são feitos de muitos pontos de vista e é difícil compreender todos os pontos de vista numa explicação.

A falta de uma afirmação clara do diretor, nem que seja provisória, aumenta a ansiedade. 

A ansiedade afeta diretamente a percepção da realidade que nos cerca e os estímulos que recebemos. Ficamos fora do compasso

o que aumenta ainda mais o quadro de ansiedade. É uma bola de neve.

Porém por falta do díalogo direto, de se fazer perguntas e do excesso de direção (atores também gostam de dirigir) ficamos muitas vezes irritados ou à deriva

rendendo menos do que desejaríamos ou podemos.

Aí diminui a percepção do que se faz e como faz. Tudo que aprendemos foi pelos sentidos. Todo pensamento surge através de um estímulo fornecido pelos sentidos.

Mesmo indiretamente já que a base de todo pensamento são imagens, figurativas, abstratas ou esquemáticas. Os sons são transformados em imagens assim como os movimentos....

Estou me alongando um pouco... para dizer que há algum tempo desde o Blindness (Ensaio sobre a Cegueira) passei a utilizar mais a minha percepção por ser mais imediato do que a Consciência que requer mais tempo para formular.

Amanhã falarei mais sobre esse assunto e sobre o trabalho do ator no cinema, interpretação e direção.

O Endereço da palestra se encontra mais abaixo.


 



Escrito por Christian Duurvoort às 13h45
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De Passagem

De Passagem pelo Rio de Janeiro.
Noite de Hotel.
Trabalhei com o grande ator Walmor Chagas. Tenho muito respeito por ele e pelo atores carregam consigo alguns segredos
da profissão. É o grande ator que faz o ator. Não existe papel. Existe uma necessidade de expressar. Isto ele disse em algumas palavras.
Vi nele o desejo de jogar, de fazer, de participar e de que nossa função seja digna e respeitada. Isto por que no cinema é muito difícil conseguir
juntar todo o elenco. Experimentar, estudar, dialogar com o processo criativo. O ator quer saber por que ele tem que fazer aquilo que lhe pedido
e gosta de fazer por inteiro e não apenas pela metade. Hoje por circunstâncias além das minhas possibilidades tivemos que fazer um ensaio com apenas parte do elenco.
O que não é satisfatório. Faltaram, e não por culpa delas, três atrizes que participam da cena que estávamos ensaiando e ele com razão reclamou. Quase deixou o ensaio mas por carinho
e respeito pelos atores presentes ficou.
Ele me havia dito que gostava de ser dirigido. E tem que ter personalidade para dirigir alguém como ele.
Só vendo para entender.

Faz parte da meu trabalho viajar. Estou na estrada desde maio.
Talvez por isso me entrego muito as pessoas com que trabalho. Elas passam a fazer parte da minha vida.
Depois parto...e pratico o desapego.
Pelas notícias que tenho recebido tudo está indo bem na Bahia.
Sei que por lá formei atores.
Abraço para meus amigos de lá.



Escrito por Christian Duurvoort às 20h42
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Palestra e Curso


Palestra dia 18/10 às 15h lá no AIC.

Aqui em Florianópolis bastante frio...sou friorento e qualquer 15ºC já é um desespero.
Uma ilha modifica as pessoas. O mar é a liberdade mas também o desconhecido que encerra as pessoas na terra limitada.
Aqui é muito bonito se bem que não passo muito tempo na rua. Como tenho pouco tempo e está frio prefiro o calor da sala de ensaio
e do hotel de onde escrevo.
A Bahia está na minha saudade. Os Capitães estão voando com que aprenderam e compreenderam deste processo.

Em São Paulo dei um curso que foi muito interessante e proveitoso.
Como alcançar a concentração necessária sem desgaste e sem fazer esforço desnecessário?
O que é drama? O que é personagem?
Qual a função do ator?

Vou continuar deixando essas perguntas em aberto. Vou responder na palestra se alguém me perguntar.
Aqui estamos fazendo um trabalho acelerado mas ao mesmo tempo denso.
Drama familiar. Um lugar perdido no tempo....era uma vez...
Por ser tão idílico faço tudo para não ser romântico.
Os atores já foram escolhidos e já conheciam o roteiro.
O diretor se diz confiante e confiar neles. Tudo parece tão calmo e equilibrado.
Deve ser o efeito ilha, o efeito paraíso na terra...
então eu sou o monstro. Faço desta história um momento solar.
Se temos tudo para sermos felizes por que não somos?
O que é normal? A miséria humana ou a felicidade.
Por que nos espinhamos ao invés de irmos de vez?
Por que geramos a dependência mútua.
A história não é tão saudável assim. Nem a vida tem tantas explicações.
Ela existe e está acontecendo numa harmonia e na dissonância.
Às vezes no compasso e às vezes no compasso.
Eu quero que vc me olhe...e lhe dou as costas para que veja como te quero.
Nem tão psicológico assim.
Enfim...
Estou no meio da criação. É uma história que caminha em cima do muro...só não sei até onde.
Isso é problema do diretor. Os atores e eu somos as pessoas que vamos lidar com o problema. Essa é a nossa função.

Aproveitem a oportunidade que esse ano não tem mais curso em SP.



Escrito por Christian Duurvoort às 18h14
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Ecos


Oi Christian...

Ontem,no meu primeiro dia de filmagem...

Que foi consideravelmente tranquilo ...

Achei que foi bem Relax,pelo fato de ser uma cena pequena...

+ hj...

Foi muito mais cansativoo..

e ja descobrii um problema, a questão da resistência...

"Como Faço pra resistir com aquela mesma intensidade,e passar do msm jeito a cena dps de hras...?"

O exercício de respiração ajuda muitoooo.. mass....

acho q falta algo...[ nao sei,posso estar enganado ]

eh isso...

Mas uma vez,agradeço por tudo!

Forte abraço..

Atenciosamente...

Heder

Para o cansaço físico só existe um remédio...ser econômico e com o tempo o corpo, a mente se adaptam. É um ritmo novo. Lembra do que eu falei de que cada cena tem uma musicalidade e lá pelas tantas ela te conduz. É isto. Outra coisa deixa a Cecilia julgar se o trabalho tá bom, se precisa de mais...faça o seu e isto te dará mais energia para estar presente o tempo todo. Tem certas horas que é melhor ser ‘cego’ e ‘surdo’ para não ter que interagir tanto com tudo que está a sua volta e que nem sempre é do seu interesse. Avisei que cinema é barril!!! Coragem e se entrega meu amigo.
Abs
Christian

As primeiras notícias de uma longa jornada. Experiência só se conquista com tempo e experiência.
Às vezes é necessário confrontar-se com uma situação muito difícil para alcançar o que se almeja.
Sei que os meninos estão bem preparados...mas tudo é novidade e lidar com o novo é desgastante.
Acredito que com a rotina eles possam se fortalecer mais um pouco.
Não há como prever como a equipe de direção vai lidar com o set. Eu preparo para que os atores possam ser econômicos e disponíveis mas
há uma série de fatores que influenciam o trabalho do ator.
O set é um lugar tenso. Porquê? Por que ninguém gosta de perder, de abrir mão, ou mesmo de aceitar aquilo que não foi planejado.
O Tempo joga contra e ele é implacável por que nada interrompe seu curso. Isto gera ansiedade. Decisões precisam ser tomadas logo e ninguém quer ser
o responsável por atrasar o set. Um dos segredos está na comunicação. Não é eficiência ou rapidez que faz com que a informação chegue. A medida certa está na
interação. Conseguir ver a consequência e manter-se calmo quando algo parece estar sendo incompreendido. Pouco à pouco cria-se uma dinâmica e chega um momento
que poucas palavras bastam.
Desde o começo é necessário uma economia nas palavras e conceitos. Sem que com isso se abra mão de uma linguagem rica e inspiradora.
Eu tirei expressões como "Ter que" e "acho que" do meu vocabulário. Procuro utilizar o "não" o quanto menos possível. E aproveitar o resultado para
tirar um novo começo.
Estou retomando minha vida em São Paulo...o curso tem sido muito bom.
Logo vou ir para Florianópolis trabalhar duas semanas numa produção local.




Escrito por Christian Duurvoort às 21h16
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Fim da Preparação/Novo Tempo


Vôo JJ3603 destino Guarulhos/São Paulo.

O avião decola e me despeço da bela cidade de São Salvador.
Ontem durante uma entrevista uma jornalista do Correio Braziliense me perguntou o que eu tinha aprendido nesse projeto.
Aqui aprendi ainda mais sobre o meu país, sobre os Homens, sobre a vida.
Aprendi a olhar e não justificar a realidade de milhões de brasileiros que vivem em condições precárias ou difícieis.
Reafirmou minha crença de que com um tratamento digno as pessoas se desenvolvem. Que a arte é um caminho de transformação.
Só posso agradecer ao povo Baiano pelo respeito e carinho com que me trataram.
Nós vencemos algumas barreiras. De certo modo eles aprenderam o que já sabiam. Ser eles mesmos e se libertar de modelos ensinados para conquistarem seu próprio modo de viver.
Hoje em dia a favela, quase todo mundo mora na favela em Salvador, tem mercado, tem pressão para participar do mercado, de consumir, de saciar sua carência com aparatos que tem serventia e melhoram a sua vida. Esse povo sabe viver com pouco e tá na hora de ser vista como vencedor pelos meios de comunicação. Sem romantismo é pouca estrutura, falta de esgoto e cheiro de merda que não agradam a ninguém.
A revolução se dará quando esse povo acordar e passará a exercer a cidadania que lhes é de direito.
Não resisto a tentação de fazer um discurso político.
É meu modo de ser feio.
Feiúra não fui eu que inventei e não tem nada haver com pobreza.
Está cara de cada um. Está nos olhos.
É o sal que aumenta a percepção do doce.
O ator é aquele que põe a mão na lama.
A Arte é o Mangue que termina de digerir o que a sociedade produz devolvendo-lhe na forma de alimento para o espírito.
Só que com tanto desperdício fica difícil transformar tudo.
Por que infelizmente não celebramos a capacidade que temos de viver apesar de...
Fazemos da nossa alegria um carnaval para vendedores de cerveja e de outras drogas ilícitas.
A Alegria do povo virou um assunto privado...um mercado a ser explorado.
Foi difícil reverter essa tendência ao fracasso que temos e que é histórico.
Foi difícil fazer crer que com sonhos se constroi um futuro, se planta as possibilidades de um sociedade mais bonita e próxima do que somos.
Eu sou artista...e a idéia deste blog é mostrar meu processo criativo.
Tudo isso que escrevo digo a esses meninos...é a alma do filme.
De que maneira iria eu motivar-los a mostrarem se tão frageís, tão miseraveís, tão carentes...muito mais que esses meninos são e gostariam de ser.
Como convencer a ser um Capitão da Areia e ser menino de rua.
Eu não gostaria nem nenhum deles.
Só pelo contraste, só com humilde para aceitar a sua forma de viver e não dizer "ai, se fosse diferente." Por que não será...não cabe a mim mudar a vida deles. Que motivei eles.
Cabe a eles mesmos valorizarem a sua vida, receberem pelo sua entrega e aprenderem a decidir o que fazer com que recebem por esse processo.
Um deles já comprou a bicicleta com que tanto sonhava.
Outro gastou quinze reais em menos de duas horas. E descobriu que ele ainda não sabe o que vai fazer com o dinheiro.
Um outro levou o que aprendeu na oficina para seu grupo de teatro na comunidade.
São todas vitórias. São materializações de seus sonhos.
Sonhos que começamos a sonhar juntos.
Depois de amanhã eles começam a rodar...o que foi planejado começa a ser executado.
Preparei eles para além do filme. Se continuarem serão bons atores e poderão integrar facilmente o elenco de outras produções que virão a Bahia.
Estou certo que serão melhores cidadãos.
Hoje vi no olhar uma dignidade que não é orgulho, nem é marra...uma nobreza por que os Capitães da Areia são um tapa na cara de quem não acredita que "daquele povo miserável" não possa nascer Nobreza. De tanto ouvir que só poderiam servir par aserem escravos muitos acreditaram....outros se encheram de ódio e foram servir a violência do tráfico.
Hoje aquele que já catou papel é heroí.
Hoje aquele que já foi muito revoltado sabe domar a fera que tem em si é um ator de muito talento e sensibilidade.
Hoje aquele que perdeu seu amigo, seu irmão numa morte perdida na bala que lhe explode o peito e o crânio...
Dá seu grito de fé: Ê, Capitães !!!!

Eu encontrei um irmão de sangue, um negro rastafari com nome de faraó.
Um deus de ébano com mãos capazes de fazer cantar os tambores e despertar os orixás para vir à terra. Tenho o privilégio de ter me tornado baiano também. De ir ao umbigo da minha e lustrar a minha dignidade como cidadão compartilhando meu tesouro: meu conhecimento. A Bahia me deu mais mistérios...

Obrigado
Axé



Escrito por Christian Duurvoort às 20h24
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Aqui em Salvador a contagem regressiva.
Faltam menos de dez dias para começar a rodar...aí é outra história.
Não vou participar. Preparei os meninos para isso e sei que eles vão mandar bem.
Fico de olho no desgaste e ensinei para eles maneiras de se concentrar com muito pouco esforço.
A dificuldade do ator no set é que ele precisa ficar com o motor ligado o tempo todo mesmo se o carro não está em movimento.
Mas o rendimento é um mistério. É algo que o ator precisa administrar mas também a direção.
Existe um limite a ser respeitado do que é a pessoa pode fazer num dia. Para quem nunca esteve na frente da câmera não consegue ter um parâmetro
do esforço que se faz para manter uma "naturalidade" dentro da absoluta artificialidade. Quem dirige começa a entender isso depois do seu primeiro ou segundo
longa.
Os atores, agora eles são atores, estão bem tanto físicamente quanto psicológicamente quanto espiritualmente para a filmagem.
Eles ganharam mais corpo. Não é musculatura nem é peso mas é volume e movimento. Não consigo descrever aqui só vendo num curso.
Eles acreditam neles.
Hoje eu quase falei por que chamei eles de feio...se alguém souber pode me responder aqui nos comentários.
Todo ator é feio!!!!
Essa constatação veio aqui. Mas não precisa dizer isso é do personagem e depois chegar no bar e falar: eu sou lindo!
Estou quase entregando mas como sei que os meus meninos lêem esse blog...vou me calar.

No dia 22/9 vai começar a oficina O ATor Imaginário lá no Gafanhoto.
Proposta

O objetivo do curso é abordar a técnica de interpretação e de preparação de atores no cinema ensinando o aluno a economizar tempo, desenvolver uma estratégia, diminuir o desgaste e manter o fluxo criativo.

O curso se desenvolve seguindo o mesmo roteiro utilizado para a preparação de elenco num longa. Cada etapa é experimentada e comentada. O trabalho prático é acompanhado de uma apresentação teórica e de sua aplicação dentro da preparação. Dois pontos fundamentais neste percurso são: como pensar o casting e como analisar o roteiro do ponto de vista da dramaturgia.

PROGRAMA: Casting e Testes, Treinamento Físico e Mental, Estudos de temas, Planejamento, Construção de personagem, Abordagem de Cena/ Roteiro, Estrutura e Improvisação, Díalogo. Há exercícios com câmera, mas não haverá gravação de cena.

Christian Duurvoort preparou atores no mais recente filme de Fernando Meirelles, Blindness e também nos seguintes longas-metragens Jogo Subterrâneo, Noel O Poeta da Vila, El Baño del Papa, Não por Acaso, A Via Láctea, Cidade dos Homens, Um Homem Qualquer e dos seriados de televisão Cidade dos Homens e Filhos do Carnaval. Foi professor convidado da Escuela Internacional de Cine Y Television de Cuba. Estudou em Paris com Jacques Lecoq e Monika Pagneux. Atualmente realiza preparação de atores para o longa Capitães da Areia e para a minissérie da HBO Filhos do Carnaval II.

10 encontros
De 22 de setembro a 03 de outubro, de segunda a sexta das 10h às 13h30
R$350 à vista ou 2xR$190

ÚLTIMAS VAGAS

Traga um amigo para fazer um dos cursos e ganhe 10% de desconto para vc e seu amigo.
Ex-alunos da Gafanhoto, alunos e ex-ESPM, atores com DRT e assinantes Terra tem 15% de desconto.
*descontos não cumulativos

GAFANHOTO

Av. Rebouças, 3181(estacionamento conveniado ao lado)

atendimento@gafanhoto.com.br 11 3816 2857 ou 11 5667 5008

Aguardo todos lá...acho que também tá na hora de uma palestra. Vou ver se consigo espaço para fazer isso.



Escrito por Christian Duurvoort às 20h34
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Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo

São Paulo, Rio, Salvador...
Estou me desdobrando entre essas 3 cidades.
Em Salvador a minha valente assistente Marina está cuidando.
Lá tudo é novo. Há muita insegurança e ao mesmo tempo muita
conquistas. Há um tempo para que a informação seja processada e se possa
voltar a espontaneidade, a aquilo que aos outros parece natural mas é totalmente construído. Nada é aleatório. O que é ocorre é que os movimentos tem um organização, um direcionamento, diversidade, camadas...que revelam uma outra compreensão do que se está fazendo. Cinema é equipe se bem que existem pessoas que tomam decisões que influem muito no resultado. Daqui eu administro o que acontece lá. A maior parte do trabalho de preparação já está feita. E o que se está fazendo agora é entender o filme que vai se fazer. A dramaturgia em movimento para se fazer uns últimos ajustes tanto na maneira de se abordar quanto no tempo e na quantidade de coisas que vão estar ali. Esse processo só vai terminar no último corte do filme. Quanto aos nossos jovens atores eles vão ganhando experiência, acumulando conhecimento e se tornando mas confiantes na suas capacidades. Mas que eles não comecem a pensar que vou chamar eles de lindos...
Rio de Janeiro
Roteiro...é um guia. Quanto mais elementos para formar imagem nas pessoas que vão ler mais interessante é. Nos Filhos do Carnaval, são sete roteiros para episódios de mais ou menos 50 minutos. As descrições das cenas são muito inspiradores e são cheios de ação, movimento.
Um personagem não é só uma psicologia ele se insere num meio social. É importante fazer uma abordagem antropológica do personagem e também do que se está vinculando com ele. Tudo isso eu traduzo em exercícios. A realidade social do Rio de Janeiro é complexo e cheio de armadilhas. É triste por um lado e ao mesmo tempo tem senso de humor. Os personagens são pessoas que pertencem a esse universo e que lutam com esse pathos que o meio traz.
São Paulo.
Enquanto escrevo meu filho toma banho e por sinal é melhor ver o que se passa por que ele deve ter derretido.
Tempo é uma invenção, uma forma de mesurar ações e situá-las no espaço sabendo que um corpo não pode ocupar dois espaços ao mesmo tempo.
Vou lá...

Escrito por Christian Duurvoort às 21h23
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Relatos de Duas Cidades

Pelo relato que me fez a Marina dos últimos ensaios os meninos estão progredindo. Eles estão mais participativos, com fragilidade mas com mais presença e até dando sugestões. O problema no cinema é sempre esse o diretor é muito requisitado, cada equipe com sua demanda de atenção, o que afasta o diretor um pouco do universo da história. Sem medir palavras tudo só faz sentido quando o ator está lá. É ele que carrega a dramaturgia e que preenche o quadro com vida.
Eles estão começando a crer na ficção e se entregarem a esse absurdo que é fazer parte da construção de uma história. Isso me deixa feliz.

Na últimas semanas antes de deixar Salvador eu dizia ao meninos que a técnica serve para fazer menos esforço. Que estar em si e fazer por si é mais importante do que decorar o roteiro. Se deixar levar pela história e estar presente é mais forte que atuar ou interpretar o que está escrito. Havia muita ansiedade por parte deles em ter o roteiro, em decorar as falas, em acertar. Daí sai com essa frase:

Quanto menos controle mais domínio.

Se deixem levar pela sua imaginação desde que ela continue no presente.
E deixe o diretor dirigir. A mesma frase vale para a direção: deixe os atores agirem.
Por que quando se tem técnica e se conhece aquilo que se vai realizar é mais fácil deixar de ter contrôle (que no ator se traduz em auto direção ou pior em auto crítica). Daí a importância da preparação. Por que durante a preparação vamos desmontando a dramaturgia e mapeamos temas, relações, situações...qualidades e defeitos.
Temos a tendência de todos querermos nos pautar pelos resultados ao invés de nos entregarmos ao momento tendo em vista um lugar que se quer alcançar. Muitas vezes se diz "tenho que" quando o melhor seria dizer "eu quero". Certeza nunca há num processo criativo. Alguém que se lance na criação precisa entender seus critérios e ver se eles são compativeís com a função que se quer exercer.

Um ator precisa conhecer a matéria com que está lidando, aquilo que o roteiro apresenta em ideias para poder se disponibilizar para aquela proposta. E se motivar para ir mais fundo, trazer algo pessoal e único.

Estou no Rio de Janeiro trabalhando com uma porção de atores que já conheço. Continuo respirando e trabalhando a flexibilidade deles..Trazendo algo técnico e de conteúdo que possa somar com seus conhecimentos e percepções da história. Para muitos é voltar para um momento muito prazeiroso que causa certa ansiedade. A série Filhos do Carnval foi um exito e quem viu elogiou muito o elenco. A maioria tem muita experiência mas mesmo assim existem novidades. Os atores que participaram da primeira temporada conservam em si muito do que aprenderam com os primeiros episódios. Os personagens são intensos e os atores conquistaram um espaço incrível para eles. Continuaram trabalhando muito e receberam muito reconhecimento por este trabalho mesmo se os Filhos do Carnaval não tenha sido muito assistido por estar num canal exclusivo no cabo.

Entrar na ficção não é fácil. É muito fácil cair na fórmula pronta. Aqui no Brasil a fórmula é a televisão. Estamos encontrando outras propostas mas o valor que se dá ao texto escrito, a informação ao invés da ação e da imagem ainda é desproporcional. Cinema é movimento e síntese. Na edição pode se acelerar ou ralentar uma cena mas se ela não estiver escrito com consistência vai dificultar o trabalho do diretor e dos atores.
O bom é que estamos produzindo mais e mais.

Escrito por Christian Duurvoort às 20h40
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Rompendo o cordão umbilical

Vôo Gol 1940 de Salvador para Guarulhos SP.
Rompendo o cordão umbilical.
Vou me afastar dos Capitães da Areia por três semanas para me dedicar aos Filhos do Carnaval 2 no Rio de Janeiro.
Tem um gosto de fim de processo essa volta a sp. Os meninos se deram conta disso nessa semana. Acho que caiu a ficha de que o contei para eles durante a oficina e os ensaios não é conversa mole de adulto querendo controlar o mais jovem. Eles tiveram sua primeira experência da realidade do cinema indo ensaiar na locação onde será o Trapiche (Uma ruína a beira mar onde os Capitães se escondiam) uma das cenas mais dificeís do roteiro. Nervosismo, travas, fome e muita informação para processar rapidamente. Foi um susto. Pior foi o dia seguinte em que voltamos a ensaiar no Forte do Barbalho com a Cecilia. Lá eu tive que gritar para eles acordarem e não se deixarem levar pela timidez ou pelo desanimo adolescente diante da dificuldade. Quem me conhece sabe que eu não costumo gritar mas eu vi que eles estavam querendo ficar dependentes de nós (Cecilia e eu) para tudo. Que queriam ficar na zona de conforto e não entrar no conflito. A novidade nem sempre chega suave. Eu havia feito meu trabalho e alertado todos pelo que viria adiante mas precisava empurrar eles pelo precipício para dentro da aventura.
Deixei Salvador num momento delicado mas estou certo que minha ausência vai abrir espaço para que eles voltem a lutar por si.
Mais uma rasteira garotos...
Dessa vez eles vão começar a realmente cuidarem de si.

Escrito por Christian Duurvoort às 18h27
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A meio caminho

Na realidade estou mais perto do fim da minha participação direta nos Capitães da Areia.
Para ser preciso nesta sexta feira vou para São Paulo e de lá vou para o Rio começar um outro trabalho.
Deixo a Marina minha assistente trabalhando aqui dando continuidade ao que foi plantado.
Hoje vamos ensaiar na locação "Trapiche". Vamos todos ficar o dia inteiro lá. Assim eles vão sentir o clima de uma díaria.
Acredito que será muito bom para eles. A adrenalina vai subir e poderão compreender mais um pouco qual é o sentido de tudo isto.
Os personagens estão quase todos lá. Fizemos um trabalho duro de olhar para dentro de si. Conhecer seus monstros e dialogar com eles.
Desde o começo dos trabalhos disse que eles eram feios e assim continuarão sendo até o fim da filmagem.
É o curso da vida.
As personagens são os veículos através das quais transmitimos idéias, conceitos e valores. As suas ações revelam mundos com suas diferentes paisagens e abismos.
O movimento é a ação. A aventura é o alimento para o espírito que se vê diante da grandeza do destino.
Técnicamente falando o ator precisa se conhecer. Ampliar suas capacidades físicas e mentais. A dramaturgia é uma bomba de efeito retardado, vai explodindo aos poucos dentro
de cada um. A concentração necessária é igual a capacidade de lidar com muita informação e estímulos. O treinamento revela alguns dos segredos da dramaturgia.
Outros se desvendam na ação. Outros só depois de tudo terminado.
Acreditem ou não tive esses papos com os meninos. Às vezes eu sei que foi difícil eles me seguirem mas estão vindos comigo.
Os exercícios físicos, principalmente os de respiração e de interação serviam para que pudessem explorar elementos da dramaturgia sem cair na repetição ou na ansiedade de produzir resultados.
Ora voltando-se para dentro ora voltando-se para as relações entre seus pares.
Treinamos nossos sentidos que são as regiões do nosso corpo que fazem a comunicação entre o cérebro, membros, orgãos...

Escrito por Christian Duurvoort às 07h29
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Entrando no Desconhecido

Resumindo tudo desde o fim da oficina.
Começamos uma outra oficina para chegar aos doze atores que assumiriam a responsabilidade de serem os protagonistas do filme.
Ao fim de uma semana já estávamos com material suficiente para dar um parecer e decidir o que seria uma despedida de um momento de todos serem iguais para passar a cada um cuidar de uma função dentro do conjunto.
O anúncio foi feito com alegria, recebida com emoção e conformada com muitos abraços.
Leiam a matéria publicada no jornal A Tarde para terem uma idéia de como foi.
http://www.cservice.com.br/base1/imagemfilmes/F6219.htm
Por sinal essa matéria e o fato da imprensa acompanhar serviu para a próxima fase de preparação do filme. Todos receberam carinho de seus companheiros de oficina mas também de escola e de comunidade. Os pais daqueles meninos ficaram orgulhosos dos seus filhos e puderam compreender o tamanho do seu feito.
Comecei a preparação com uma provocação dizendo que eles eram feios e por isso foram escolhidos para serem os protagonistas. Isso tocou eles fundo. Eu ainda disse a eles que eles ainda não eram Capitães da Areia e por enquanto os únicos Capitães eram a Marina, o Ranmsés e eu. Que eles eram uns patetas.
E são....assinaram um contrato sem ler as letrinhas miúdas! Saíram no jornal sem sequer terem rodado uma cena e já conseguiram ser celebridades em seus lugares. Mas ser Capitão é muito mais. Tive que dar mais uma chinelada na imagem glamourosa que fazem do cinema e de seu futuro para fazerem olhar para onde estão caminhando. Fazer entender que com marra não se faz um personagem. Que a função daquela história é muito importante para nossa sociedade e que o que eles estariam teria uma importância maior ainda do que aquela notícia de jornal. Mas que estar onde estão agora é um grande feito da qual eles tem mérito sem desmerecer os outros.
A primeira semana dessa vida nova foi estranho. Sessões individuais para a maioria onde descarregava todo o contéudo de sua jornada e mostrei semelhanças/diferenças, aspectos positivos/negativos deles com seus personagens.
Para mim a personagem é um veículo para dizer algo. Mas o quê?
Isto eles estão aprendendo na medida em que conto a trajetória de cada personagem e essa trajetória dentro da história toda. Em que mostro a importância das relações entre os personagens, os preconceitos que terão que lidar, os desafios que terão que superar, os abismos em que vão cair.
Mostrei tudo isso para que começassem a pensar em si.
O seu livro de consulta são eles mesmos. Tudo que não esitver ali terá que ser aprendido, conquistado ou mesmo escrito por eles mesmos. Que os instrumentos dados na oficina serão seus utensílios para poderem viajar.
Novos Capitães. Novos Desafios.
Respirem meus amigos. A fábrica de monstros está apenas começando.
.....
Anteontem caminhando pelo shopping ouvi gritos de muitas crianças juntas. Era um Castelo de Horror que havia sido montado ali. E no cartaz dizia que lá era o único lugar em que os filhos podiam gritar com seus pais. Ao ver a galera saindo se via que eles tinham se divertido muito e estavam com cara de quero mais.
Essa é a cara dos meus atores. Ninguém sofre. Mas às vezes se assusta com seus próprios gritos e monstros que tem dentro de si.
O ator é aquele sujeito que sai da sua zona de conforto e voluntáriamente vai para a zona de conflito.
Um por um perguntei se eles gostariam de viver na rua, deixar seus pais, suas casa.... Eles responderam que não. Então retruquei dizendo que eles não queriam ser Capitães da Areia por que eles moravam na rua, eles assaltavam, eles passavem necessidades mas vocês por mais difícil que seja sua condição social ainda não estão lá.
Ficaram espantados.
E agora? Tudo que vão ser no filme são uns miseráveis, desgarrados que a sociedade que ver pelas costas. E que ao mesmo tempo lutam para encontrar um tratamento digno mesmo sem saber o que isso significa.
Com isso mostrei uma porta de entrada para serem Capitães da Areia.
Aceite o desafio de se olhar sem um espelho e isolado do mundo para a Beleza e Horror de cada um de nós. Olhe para sua vida e vê o que está fazendo, o que você quer aprender com essa experiência. Perceba a sua dificuldade de assumir um lugar nesse mundo, perceba a necessidade que tem de afeto, de conhecimento, de espaço para crescer.
Esse processo de amadurecimento deles é belíssimo. Mas eles vão continuar sendo feios e cada dia mais feios, sujos e malvados. É pelo contraste, pela transgressão do senso comum, do jogo de significados que se faz poesia que desafio o ser humano a decifrar o mistério.
O que faz uma criança apesar de sua condição ainda brincar? O que há por detrás da beleza das fachadas da velhas casas da rua do Comércio, da encosta da Montanha...da flor que é a cidade de Salvador que pulsa vida onde só há declínio.
Explicar isso é o que cada personagem faz nesse filme.




Escrito por Christian Duurvoort às 08h29
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Novos Cursos e mais Capitães

Tem curso no Gafanhoto do dia 15/9 à 26/9 das 10 às 13h
Entrar em contato com Lili
lilianeferrari@gmail.com
e no AIC do dia 29/8 à 10/10 em dois horários: 10 às 13 e 19 às 22.
Entre no site deles...me falta o endereço mas já volto.
Agradeço o carinho dos alunos que participaram de toda a oficina. E dos que me escrevem aqui no blog.
Estamos na fase de preparação. Encontramos na Bahia os protagonistas. São jovens sem experiência...iniciantes como diria um deles, encarando uma aventura.
Barril!
Todos levaram seu susto inicial. Cinema não é só glamour. Pode ser uma fábrica de ilusões mas depende do ponto de vista.
Uma coisa que é importante é que não perdemos o nosso ponto de vista.
As ONG que nos apoiaram e formam esses meninos tem muito mérito e fazemos com que os meninos não se iludam com o cinema e após o
filme continuem trabalhando. Multiplicando o que aprenderam e incentivem outros garotos.
Vi alguns garotos saírem felizes de não terem sido escolhidos por que alcançaram mais que seu objetivo.
A oficina foi uma experiência de vida. Para todos.
O cinema tem sido um bom meio para realizar um trabalho próximo ao público, compartilhando com a comunidade o conhecimento.
Pudera houvesse mais propostas como estas.
Assim como mais ONG's que fazem um trabalho de arte educação.

Escrito por Christian Duurvoort às 20h41
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Novos Capitães

Novos Capitães

Novas aventuras, novos sonhos, novos desejos

Por que precisamos de novos capitães?

Prá resgatar a infância e liberar a adolescência.

Prá olhar para dentro de cada um e se ver tão exposto diante de um mundo que desde o começo sempre foi cruel.

Prá ver sua cor e chorar sua condição. Prá sonhar com um mundo novo.

Precisamos não passar rápido pela infância como são passados nossas crianças e chegaram na adolescência com uma bagagem pesada que arcas seus lombos.

Nem tudo é festa.

Pipoca e pipoco.

Bandeirinha e dando bandeira.

Ter tudo e não ter nada.

Passagem de tempo.

Os corpos desabrochando em tantos hormônios e quanta solidão.

A ser continado...



Escrito por Christian Duurvoort às 13h55
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